terça-feira, outubro 21, 2008

Estou triste...

Infelizmente descobrimos dia a dia, que a velhice é uma coisa muito triste, que trás consigo muitas doenças associadas e muitos problemas.

Os meus avós estão a entrar numa fase que faz com que nos mentalizamos um pouquinho todos os dias, que algum dia eles terão de partir. O Gil ainda pode conhecer duas bisavós e um bisavô, ao que eu me lembro de ter conhecido somente dois bisavôs, um partiu quando eu tinha dois anos e meio, do qual tenho uma ideia muito vaga e o outro partiu quando eu já tinha quase uns 8 anos.



Sempre que saio do trabalho vou buscar o Gil à ama e vou ter à casa dos meus pais, e na 2ª feira não foi diferente, mas quando lá cheguei a porta estava fechada... e o Gil só dizia "A avó fechou a porta!" e eu disse-lhe que sim, que a avó tinha a porta fechada que íamos à casa da outra avó, que ela estava lá. Quando lá cheguei, estavam os meus pais e a minha avó e perguntei: "Então o avô?" e responderam-me entre lágrimas, que estava no hospital, outra vez...

Nos últimos meses, tem sido assim, vai e vem. Uns dias melhor, outros dias pior... A verdade é que ele já conta com 85 anos e tem tido algumas doenças graves, nomeadamente doenças prolongadas, vulgo cancro, tanto nos intestinos como na próstata e as coisas tendem a complicar-se com a idade. Neste momento apercebemo-nos que há orgãos vitais que começam a fraquejar e segundo o diagnóstico de ontem, ambos os rins estão a começar a parar, pelo que neste momento ficou com uma ligação directa aos rins para poder urinar (já tem uma ligação directa ao intestino para o "saco", desde que foi operado e agora fica com mais um saco...) e durante uma semana vai ficar por lá, em observação.

Ele tem sido um homem rijo e por várias vezes o temos visto bastante mal e ele acaba sempre por arribar, mas ninguém cá fica e prevejo que mais dia, menos dia, ele parta... Não há como evitá-lo e sei que neste momento ele está a sofrer. Às vezes penso que se fosse há uns anos atrás, ele já teria morrido há uns 10 anos, pois com o avanço da medicina, ele já foi salvo uma dúzia de vezes, mas a eternidade não existe nas vidas humanas e nada fará com que fiquemos por cá. Com o que le tem sofrido também acho que já chega, ele próprio diz que já cá não está a fazer nada, mas apenas para dar trabalho...
O que sabemos é que há nele sentimentos que ainda o agarram à vida, por exemplo ele tem imensa pena de deixar a minha avó sozinha, porque sabe que ela tem um feitio terrível e nós muitas vezes não temos paciência para a aturar e ele, apesar da doença, tinha essa paciência e já conta com 62 anos de casamento, o que é muito tempo... outra coisa é a adoração que ele tem pelo Gil, porque apesar de o Gil ser uma criança dificil, porque tem muita actividade e é muito resmungão e rabujento, é também uma criança de quem se é fácil gostar, pois é dócil, é atrevido e gozão, o que faz com que muitas vezes nos arranque imensas gargalhadas!
Ainda que tenha a outra bisneta, o Gil passa ali muito mais tempo o que faz com que a convivência seja mais próxima e que haja uma relação maior. Além disso, eu acho que por ser rapaz, o meu avô vê insconscientemente nele, um percursor dos seus passos, daí que ele sinta por ele, um elo de ligação enorme e quase inexplicável.

Desculpem lá este post tão "dread" mas precisava de colocar estas coisas cá para fora...

8 comentários:

Sandra e Afonso disse...

Olá Lisa!
:)
Conseguiste escrever exactamente o que eu sinto em relação à minha avó... ela também tem uma idade avançada, tem tantas doenças e agravar o estado dela, a cabecinha dela está completamente demente... também penso muito, passou de hoje?, será que vai passar de amanhã? será que chega ao aniversário dela? será que chega ao natal?...
São coisas tão tristes... mas são a realidade mais real...
Deixa-me dizer-te que o teu avô é um grande senhor, malzinho como está, esses sacos devem ser tão incómodos, e mesmo assim ainda pensa na tua avó... no Gil...
Vamos esperar que ele vença mais esta batalha...
Beijo grande para ele!
Beijo grande para ti!
Beijo, beijo, beijo

Sandra e Afonso
www.bebeafonsinho.blogspot.com

Kya disse...

É sempre triste, sim, e faz parte da vida dos nossos filhos porque tiveram a sorte de conhecer os bisavós (no meu caso, a Ana conheceu os 4, agora o Gil só conheceu as 2) e um dia vão ter lidar também com a perda... nem quero pensar nisso. Este Verão visitei a minha avó e chorei. Mesmo agarrada a ela. Tenho tanto medo de a perder. Preciso tanto dela! É o meu último refúgio de amor familiar, é a pessoa que mais amo no Mundo fora os meus filhos... se quando morreu o meu avô fiquei uma semana fora de mim, quando a perder a ela vou ficar doida... Por um lado, tens a hipótese de te "preparar" mentalmente para a perda do teu avô... acredita que é melhor do que ser de surpresa, como aconteceu com o meu. O meu outro morreu de cancro e já não custou tanto, já se esperava... Bjs e força

Mar disse...

Ainda bem que desabafas aqui, não é o que todas fazemos? Para o bem e para o mal... Eu não conheci muito bem os meus avós, pois todos se foram quando eu era muito nova. Acho maravilhoso essa relação forte e próxima :)
Um beijinhos
PS. Obrigada pela visita :))

susana disse...

Sorte a tua k ainda tens avós pois eu n tenho de ambos os lados...mas sinto 1 enorme saudade do meu avô materno,afinal foi ele k nos criou a mim + a minha mana.
As melhoras do teu avô!!

jokitas

Gio disse...

Pois é amiga, infelizmente e como sabes já passei por isso a um nível ainda mais chegado, mas os avos já foram todos e com cada um sofre-se de forma diferente. O triste é que não ha mesmo nada a fazer e por mais que nos tentemos habituar à ideia, não há geito...

Gaivota disse...

Durante muitos anos só tive uma avó que morreu há 3 anos. É muito triste vê-los partir, custa mesmo muito.

Um beijinho e as melhoras do teu avô.

Golfinho Filipa disse...

:-(

As melhoras do teu avô.

Um beijinho grande

teresa disse...

Fazes muito bem em desabafar pôr os sentimentos cá para fora.
As melhoras do teu avô. E pensa que o mais importante é estar com eles quando precisam, dar amor e carinho.
Beijos.
Teresa e Matilde.

P.S. Obrigada pelas tuas palavras.