Aviso já que este post vai ser comprido e traumático... pelo menos para mim!
O fim de semana afinal não acabou da melhor forma...
Ao final da tarde (mais ou menos quando escrevi o último post do blog) notei que o Gil estava com uma rabugice diferente, assim algo queixoso, como se estive sempre a fazer força para chorar, mas não chegando a chorar, fazendo quase uma espécie de gemido e com uma sonolência diferente.
Dado as rabugices dele serem já tão famosas, inicialmente desvalorizei. Mas aquilo continuou por bastante tempo. Às 22h 30, antes do banho, ele pareceu-me estar ligeiramente quente, tirei-lhe a temperatura e tinha 37,25º, achei que não era nada demais e prossegui com aquilo que era normal, o banho, depois a mama e depois o biberon.
Achei estranho ele ter feito a tal "força para chorar" na mama. Deitei-o pela meia-noite e a partir daí ele acordava de meia em meia hora ou de 20 em 20 mintos a choramingar.
Às 2h50, achei que era demais e que o melhor era ir a algum lado com ele. Ainda liguei para "Os Vigilantes", mas disseram-me que o médico que ia a casa era de clínica geral, que talvez fosse melhor ir a uma urgência pediátrica.
Vestimo-nos num ápice, arranjei algumas coisas por prevenção, nomedamente leite e um biberon esterilizado para levar e em 15 minutos estávamos a sair de casa.
A partir daqui começa o nosso desespero e vou tentar resumir as coisas.
3h40 - Chegámos à Estefânia, felizmente havia pouca gente e fomos chamados para a triagem em cerca de 10 minutos.
3h50 - Na triagem é-lhe medida a temperatura no ouvido, tinha 37,5º. Quando a médica lhe vai medir a temperatura repara numa saliência na cabeça, um pouco fora do normal e que a mim me tinha passado ao lado. Classificação: Urgente. Escusado será dizer que fiquei com o coração nas mãos.
4h10 - Atendimento por duas médicas. Despi o Gil, uma das médicas vê-o todo, fazendo-lhe apalpadelas enquanto ele chora que nem um desalmado. Vê-lhe também os ouvidos e não há sinal de otites. Analisa-lhe o alto na cabeça.
Manda-o para análises à urina e ao sangue. Nota que de facto ele deve ter alguma dorzinha, mas não consegue perceber onde, talvez de barriga...
4h30 - Subimos ao primeiro andar para as análises. Colocam-lhe o saquinho para a urina e depois vem mais um dos pavores da noite. Têm de o picar para lhe tirarem sangue. Picam-no uma vez e ele chora e eu também! Não lhe acham a veia e não conseguem tirar sangue. Voltam a picá-lo e voltamos a chorar. A senhora quando me viu assim, perguntou logo se era o primeiro filho. Disse-lhe que sim. Ela nem comentou nada, pois achou que era normal a minha reacção.
Se até às 6h o Gil não fizesse xixi, tínhamos de ir colocar um novo saquinho.
Voltámos para a sala de espera. Dei-lhe de mamar, pois ele tinha-se mantido quase sempre acordado. E ele adorou a maminha.
5h20 - Ele fez xixi e entregámos o saquinho para análise. Voltámos para o piso 0, para a sala de espera, sabíamos que teríamos de esperar mais ou menos entre uma hora e hora e meia.
E esperámos, esperámos, esperámos... O Gil lá dormiu uma soneca entretanto.
7h10 - Fomos chamados. Duas médicas novas, pois o turno já tinha mudado. Ele foi novamente observado, quase como se fosse uma nova consulta. As análises estavam boas, sem motivos de preocupação e por esta hora já ele estava todo bem disposto e sem sinal de fazer aquela "força" em forma de gemidos. Voltaram a ver-lhe a cabecita. Mediram-lhe o perímetro cefálico com duas folhas de papel por não haver uma fita métrica... que miséria! 42 cm, um centímetro a mais do que na última consulta.
Sugeriram-nos que esperássemos pelo neurologista, que supostamente iniciava o horário de trabalho às 9h. Faltava cerca de hora e meia.
7h30 - Depois de procurarmos um café, pois quanto às máquinas existentes na sala de espera, a de comida estava avariada e a de café não tinha nem chocolate quente, nem leite, então lá descobrimos que existia um bar no Piso 2. Tomámos o pequeno almoço. E voltamos para a sala de espera.
A partir desta hora começa a chegar muita gente. Muitos miúdos com tosse e com viroses e sei lá o quê mais. Tentei manter-nos num cantinho e resguardar o Gil para que não apanhasse nada daquilo.
8h30 - Dou novamente mama ao Gil e um biberon (ainda bem que me lembrei de levar isto, senão não sei como seria!).
9h10 - Vou à recepção médica perguntar se o neurologista já chegou. Ainda não.
A partir daqui começámos a ir preguntar com alguma frequência. Até que pelas 10h30 o L. se chateou e pediu para falar com os chefes. Falou com a 2ª chefe que parece que não adiantou nada, falou com o 1º chefe, parece que todos andavam a empurrar uns para os outros. Até esteve a falar com o polícia que lá se encontrava, que lhe disse que estava ali porque muitas vezes os pais ficavam saturados de tanto esperar e que ele tinha de impôr alguma ordem, apesar dos utentes terem quase sempre razão.
E continuámos à espera... Mudei a fralda ao Gil pelas 11h. E ele dormiu mais um sonito.
11h50 - Continuávamos à espera. O L. insistia em ir chatear fosse quem fosse, até que alguém descobriu a ficha do Gil e a mandou para o neurologista. Uma médica respondeu-lhe que ele estava a dar consultas e o L. passou-se. "A dar consultas? Olhe eu não quero saber, eu estou aqui numa urgência antes das 4h da manhã!"
Dei novamente mama ao Gil.
12h15 - Fomos finalmente chamados. Dissemos ao médico indignados,que estávamos ali desde as 20 para as quatro da manhã. Ele disse que só lhe tinham passado a ficha pelas 11h30 e que nessa altura estava a atender. Ele observou o Gil, que estava todo bem disposto e sorridente, fez-lhe imensos diagnósticos de reflexos, aos quais ele respondeu muito bem. Mas ele estava interessado era em brincar com a vara que o médico tinha para testar os reflexos. Observou-lhe a cabecita. Disse logo que não parecia ser preocupante, apesar do percentil do perímetro cefálico estar acima dos restantes e de ele ter uma cabeça ligeiramente maior por comparação, isso podia ser herdado do pai que tinha uma cabeça grande. Com esta é que o L. ficou a bater mal... "eu tenho uma cabeça grande????" LOL Esta até me deu vontade de rir, até porque ele me parece ser prefeitamente normal, mas também lhe disse que isto podia ser do ponto de vista do neurologista, que deve ter todas as medidas standarizadas já interiorizadas.
Pelo sim, pelo não fomos fazer uma ecografia transfontanelar (acho que é este o nome).
Mais uns 15 minutos para dar a ordem para o serviço e até que alguém fosse lá connosco para nos orientar.
12h40 - Fazemos a ecografia e o médico disse-me logo, está tudo bem. Suspirei de alívio.
Aguardámos o relatório.
13 h - Descemos para ir mostrar ao neurologista o relatório. E onde é que ele estava??? Tinha ido almoçar, acham normal que sabendo ele que isto iria ser relativamente rápido e sabendo há quantas horas ali estávamos, tivesse tido esta atitude??? Que falta de respeito que há pelos utentes e sobretudo pelas crianças, pois não estávamos ali com um miúdo de 10 anos, mas com um com menos de 5 meses!
Fomos para a sala de espera interior. E ali ficámos mais uma hora.
14h - Ia começar a dar novamente de mamar ao Gil, quando o L. vem-nos buscar para que um outro médico analisasse o relatório e pudéssemos ir para casa. Disse-nos que não havia nada de preocupante, mas que se ele voltasse a ter os mesmos sintomas para regressar lá.
14h28 - Entrámos finalmente dentro do carro para regressar a casa.
É nestas alturas que gostava de viver noutro país!
Escusado será dizer que ontem estava cansadíssima e que o Gil não dormiu nada de jeito desde as 3h da manhã. Fez os mesmo sonos que faria durante o dia e à noite fez-me uma rabujice para dormir que só visto. Tive de adormecer ao colo e durante a noite choramingou umas 3 vezes. Dei-lhe a chucha e ele ficou-se. Dormiu cerca de 10 horas. Mas antes de nos deitarmos, esteve a palrar, a sorrir e a dar gargalhadas connosco. Agora está novamente a dormir, depois de já ter mamado duas vezes.
A preocupação foi-se. Perdemos imenso tempo no Hospital, enervámo-nos e ficámos indignados com tudo o que se passou, mas regressámos com o Gil nos braços, bem disposto e sabendo que não tem nada de preocupante. Deve ter sido uma dorzita que o incomodou mas que felizmente passou.
O papá ainda foi trabalhar de tarde e ontem à noite adormeceu com a televisão ligada e o comando na mão.
À noite dei apenas uma olhadela nos comentários e ainda me ri com o do Kya a da Moura ao Luar (amiga, tenho lido os teus post no bloglines mas não consigo comentar o teu blog!) realmente "emprenhada" é uma gafe engraçada e até faz todo o sentido, pois ando empenhada e emprenhada com as ideias, já que elas ainda pouco passaram à concretização!
Beijokas a todas e agradeço a quem conseguiu ler este post até ao fim...